
...e o meu corpo não esquece da vertigem que traz o caminhar. e eu não esqueço que o meu corpo não esquece!...e aquela sensação intoxicante de lugar seguro não existe mais. tudo é frágil e quebradiço - é sufocante desde o início até o seu fim e mais...e o meu corpo não esquece; nem eu tampouco!...e vamos nós lá outra vez e de novo e novamente e não cessa nunca essa caminhada...!...não que eu esteja negando o seu prazer ou o meu, de modo algum. acredito que nesse momento posso encontrar algumas palavras de beleza e felicidade e paz. nesse estreito caminho onde encontro meus pés, hoje posso adivinhar um instante de exitação destituído de temores ou farsas - e desejo que meu sorriso não traía o que me enche o coração!...e ainda que aquela vertigem embriague meus intestinos, e uma nebulosa e vaga sensação do que está por vir lance para o mais longe de mim qualquer intuição do passo seguinte, não sou capaz, neste momento, nem para mim, de dizer o quanto anseio desesperadamente por seu desfecho!...não ouso esperar o dobrar dos sinos. quero encontrar a mim ébrio de sono quando o dia arder sob os calores do sol. e lançar uma prece vermelha e melodiosa nos devaneios da fumaça quando a noite chegar: que meu corpo esqueça finalmente! para que eu consiga ter um sono sem sonhos...!...que eu consiga esquecer e continuar...

Nenhum comentário:
Postar um comentário